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Erguendo novamente a voz.
de Akasha De Lioncourt | Sábado, 17 de Outubro de 2009
Erguendo novamente a voz.
Quando uma voz se cala, há um silêncio relativo, quando todas as vozes se calam, é o início do caos na ausência total de sons que comprovem que ainda não somos insanos.
Mais uma vez estamos aqui, erguendo nossas vozes para que não nos calem. A ameaça, iminente, vem através de um Projeto de Lei cujo intuito é a Reestruturação das Carreiras na Polícia Civil de São Paulo. Dentre as muitas mudanças, há uma previsão na redução do quadro de carreiras, reunindo-as sob a nova designação “Agente de Polícia”, sendo uma das exigências para ingresso que os candidatos possuam formação escolar em nível médio. Neste rol, estão os Agentes de Telecomunicações Policial, policiais que realizam a tarefa de manter a ordem e evitar o caos, entre outras atribuições. Uma vez um colega investigador disse que éramos “a voz do outro lado do rádio” e se não fosse por isso, muitas situações perderiam o controle sem o nosso apoio, fosse nas pesquisas diversas que nos são solicitadas, fosse organizando a própria comunicação via rádio, impedindo que uns cortem a transmissão de outros, interligando informação quando as unidades móveis não conseguem se alcançar, dando suporte para que eles possam trabalhar, enfim, uma carreira que está encarregada de projetar, manter e operar TODAS as redes de comunicação e transmissão de dados da policia civil. Somos agentes que trabalham nos bastidores, nos VHF’s, movimentando as diversas mensagens que circulam no Estado, informando, pesquisando, localizando, atendendo à comunidade, fornecendo informações quando nos solicitam auxílio sobre como proceder nas mais diversas situações cotidianas, a maioria no âmbito cível, os vários desacordos comerciais, os negócios mal feitos, a má-fé recíproca, a lei da vantagem. Uma verdadeira operação de inteligência policial. Mesmo assim, querem extinguir a nossa carreira, querem calar as nossas vozes. Mais do que isso, querem retirar de nós a legitimidade que sempre foi nossa para cuidarmos da comunicação policial em sentido amplo. Num momento em que a informação digital está crescendo, em que a velocidade na obtenção de dados aumenta qualitativamente, em que entramos na era digital da comunicação, o governo do estado quer criar um retrocesso e nos dispensar. Sim, é como nos sentimos: dispensáveis. Não queremos, com isso, dizer que somos melhores do que ninguém, apenas demonstrar que somos valorosos e podemos progredir ao invés de sumirmos. Merecemos acompanhar os avanços tecnológicos e, sob a denominação de Agentes de Telecomunicações ou Agentes de Inteligência, termos a nossa carreira tão reconhecida quanto a de Papiloscopista, Escrivão de Polícia ou de Investigador de Polícia, levando-se em conta que nossas atribuições são praticamente as mesmas que as duas últimas, com ingresso mediante concurso de provas e títulos e nível de escolaridade em Grau Superior (Nível Universitário), pois essa é a realidade da nossa carreira hoje, para não dizer que é a realidade da Polícia Civil em quase toda a sua totalidade.
É por isso, senhores deputados da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, que novamente invadimos as suas caixas postais e pedimos que reflitam sobre essa situação e nos dêem a chance de continuarmos nos orgulhando por sermos policiais da área de comunicação, de inteligência, por sermos responsáveis pela transmissão de dados via voz, via internet, via telefone, seja lá como for necessário. Pedimos, nesse momento, que nos apóiem numa questão tão delicada, que sejam a nossa voz no plenário e ergam-na em nossa defesa, pois em cada cidade, certamente haverá ao menos um policial que trabalha nessa profissão, em regime plantonista e portanto tão operacional quanto as demais carreiras, que têm orgulho em usar o distintivo e saber que a cada plantão, a cada expediente cumprido, nossa missão foi levada a sério e exercemos nossa função com honra e dignidade, garantindo a segurança da população e dos nossos próprios colegas. Não nos neguem esse direito aprovando um projeto que prega pela desigualdade e injustiça para com tantas carreiras, inclusive a nossa.
Aproveitamos o ensejo para agradecer por qualquer medida que seja tomada em nosso favor, principalmente se a mesma acontecer na forma de emendas que retirem desse projeto o caráter discriminatório e inconstitucional, devolvendo a cada um de nós o orgulho em sermos Agentes de Telecomunicações Policial.
Akasha De Lioncourt – Agente de Telecomunicações Policial – Polícia Civil de São Paulo.
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